Testando padrão de rádio digital DRM com Ataliba PP5AZF

Olá amigos, venho através deste post divulgar os resultados dos testes realizados juntamente ao amigo Ataliba Zandomenego Filho PP5AZF, pioneiro na tecnologia DRM (Digital Radio Mondiale) no Brasil, idealizador e mantenedor do grupo DRM-Brasil.

O Brasil ainda caminha em busca de um padrão flexível e sustentável para digitalização de emissoras de rádio, assim como no passado ocorreu o processo de adoção do DTV ISDB-T  (Sistema de TV Digital) .

Atualmente, existem 3 padrões disponíveis no mercado, mais a discussão de implementação no Brasil engloba somente dois padrões, DRM e IBOC HDRadio.

  • DAB+ (Digital Audio Broadcasting) – Padrão adotado por algumas emissoras europeias, até o momento não cogitado sua implementação no Brasil.
  • DRM (Digital Radio Mondiale) – Padrão adotado pelas emissoras europeias.
  • IBOC HDRadio – Padrão adotado pelas emissoras americanas.

Dentre as plataformas citadas acima, preso total apoio a tecnologia DRM, pois este padrão nasceu através de um consórcio formado por emissoras interessadas na digitalização do rádio, tornando-se uma plataforma aberta, livre e flexível, facilitando a construção de equipamentos e softwares para decodificação do sinal, além dos softwares grátis, já existentes que possibilitam ouvir DRM com um simples computador e um SDR (Rádio Definido por Software).

Em contra partida a plataforma IBOC HDRadio, é um sistema proprietário e fechado, tanto as emissoras, quanto os fabricantes de equipamentos de rádio, deverão contribuir com os royalties junto a empresa norte americana Ibiquity, detentora da plataforma, o que implicaria aumento no custo destes equipamentos, outro ponto desfavorável é que não é possível flexibilizar ou adaptar o sistema.
Projetos baseados nesta arquitetura, existem riscos de ficarmos literalmente “acorrentados” a empresa detentora.

Migração das emissoras AM para FM VHF x DRM

A presidenta Dilma Rousseff em 2013, assinou um decreto redigido pelo Ministério das Telecomunicações, solicitando aprovação para a migração das emissoras de Ondas Médias AM, para faixa de FM entre (76.1 MHz ~ 87.5 MHz), atualmente em uso pela TV Analógica VHF.

O decreto salienta que tais emissoras, possuem altos custos operacionais e quedas substanciais de ouvintes conforme a evolução dos anos, gerando altos índices de prejuízos. Isso ocorre por vários fatores, o principal deles são as interferências eletromagnéticas geradas por equipamentos eletrônicos de má qualidade, cada vez mais presentes nos centros urbanos.

Existem alguns tópicos, que mantém a migração na contra mão da evolução tecnológica:

  • Existência consolidada de canais da TV Analógica em algumas cidades do interior.
  • Alcance reduzido do FM (Frequência Modulada), se comparado ao AM (Amplitude Modulada).
  • Para se obter bom desempenho em FM, é necessário instalar os transmissores e antenas em altos de montanhas, que em sua maioria não possuem infraestrutura dimensionada para receber o parque de transmissão (energia elétrica estável, telefonia, internet…) .
  • A grande maioria dos receptores existentes no Brasil, não possuem recepção na faixa destinada pelo decreto, que está estipulada entre (76.1 MHz ~ 87.5 MHz). Atualmente os receptores iniciam em 87.5 MHz.
  • Outro impacto substancial é a abrangência a locais remotos, do qual a maioria dos casos o rádio AM é o único meio de comunicação existente. (“Em pleno século 21 isso ainda existe. Quem discordar de minha opinião, basta sintonizar a Rádio Nacional da Amazônia em 11.780 KHz, durante as programação diária, é notória a quantidade de avisos a pessoas que habitam locais remotos“).

A plataforma DRM, poderia ser implantada como piloto de testes, já que a intenção é inovar, que seja para um modo digital, mantendo a estrutura já existente pela emissora, que necessitará somente de alguns ajustes no transmissor.

“Assim teríamos o melhor de 2 mundos, rádio com qualidade digital e alcance favorável.”

Testes realizados com Ataliba PP5AZF

Neste teste várias configurações foram utilizadas, variações de potência e alterações nas características de bit-rate e codec, algo que nos surpreendeu foi a capacidade de decodificação com SNR (Relação Sinal / Ruído), abaixo do valor estipulado no bit-rate, e com apenas 100 watts, foi possível transmitir 17.98 kbps UEP AAC+ com qualidade Stereo, fica visível o poder da plataforma DRM, confiram o vídeo abaixo:

 

Estatísticas baseadas nos sinais recebidos e decodificados

Segue abaixo estatísticas extraídas utilizando o software DRM-Log Plotter.

Segue abaixo o link para download das Basebands (“Banda Base do espectro durante a recepção”),  através delas é possível realizar o reprocessamento dos dados.

Também poderão ser utilizadas como material de estudo da plataforma ou procedimentos de configuração e preparação para decodificação do sinal DRM, já que atualmente está dificultoso encontrar transmissões com sinais favoráveis destinadas a nosso continente.

donwload-icon donwload-icon donwload-icon donwload-icon
9.16 kbps – AAC
Mono (274 mb)
11.58 kbps – AAC
Mono (80 mb)
14.78 kbps – AAC
Mono (173 mb)
17.98 kbps – AAC+
P. Stereo (199 mb)

Espero que tenham gostado, pois todo conteúdo deste post, nasceu em nosso grupo “SDR Brasil” no WhatsApp, caso queiram participar do grupo envie seu contato, pelos comentários.

Veja também alguns posts que demonstro a recepção da rádio RNZI utilizando o padrão DRM.

https://pu2vlw.wordpress.com/2013/09/15/recepcao-drm-radio-rnzi-new-zealand-11-765-khz/
https://pu2vlw.wordpress.com/2013/09/10/recepcao-drm-radio-rnzi-new-zealand/

73 de PU2VLW.

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8 comentários sobre “Testando padrão de rádio digital DRM com Ataliba PP5AZF

  1. Boa noite, parabéns pela iniciativa!

    Caso possível me adicione no grupo do Whatsapp, tenho muito interesse no assunto

    (quatro – quatro) nove-um-dois-um-6245 -> escrevi assim pra evitar spam, se possível delete esse meu comentário.

    Um forte 73 de Andre Vitor PU5VDV

  2. Parabéns pela iniciativa,,pelo primeiro passo de vanguarda nos testes com a maravilhosa plataforma do DRM , como um ótimo sistema para um ideal ‘ digital voice ‘ nas bandas HF de radioamadorismo.O DRM funciona bem mesmo em banda estreita, até com relação sinal ruído crítica, fura o qrm e qrm e ainda com ótima definição de áudio. Desde 2004 tenho feito experimentos em recepção de transmissões broadcasting em SW.

  3. Boa tarde Amigo Gostei do Site Ja adicionei nos Favoritos
    Gostaria de Ser Adicionado no Whatsapp
    Pu 6 WFI Frank
    73-98160 7692
    Desde ja fico Grato com a atenção
    Att. Frank

  4. meu wattrsapp é 64 9999 o913 – itumbiara go. por favor me inclua quero ter noticias recentes da implataçao do sinal radio digital no brasil .

  5. Não entendo… Não entendo como é possível que o DRM que abrenge todo o espectro, partindo das Ondas Curtas e Tropicais, passando pelo AM (na verdade OM) e chegando no FM e ainda assim, exista todo esse aparato de apoio ao HDRadio?! É algo que me deixa um tanto triste e profundamente preocupado perceber que a migração nada mais é que um mecanismo para que após a migração, as emissoras em FM adquiram o sistema vendedor, ou seja, o HDRadio (que depende de licenças e é um software proprietário e só funciona no FM). Impressionante que ninguém pense nas localidades que só ouvem a Onda Média e mesmo a Onda Curta e que sem o DRM e com a migração das emissoras para o FM seria um processo de jogar no esquecimento essas comunidades mais remotas do país. Igualmente não entendo como não se considera o rádio como uma notável ferramenta de integração nacional levando informação, entretenimento, educação para locais remotos e que mesmo em estados da federação não tão remotos ainda assim o rádio pode aproximar pessoas, por exemplo, não é incomum, durante a noite, no Nordeste, pessoas sintonizarem a Rádio Sociedade da Bahia em 740KHz no Ceará, Maranhão etc. Mas percebam, a emissora está na Bahia…!!! Como isso seria possível se a Rádio Sociedade anunciasse que desligará o AM porque ira pro FM?? Sei que muitos dirão que pra isso existem app’s para smarthphones e que com a Internet podemos ouvir de forma praticamente impecável, não somente a Rádio Sociedade do exemplo, mas sim uma infinidade de emissoras de todo canto do mundo, o que de fato é verdade (inclusive eu uso esses recursos no RadiosNet e TuneIn). Mas e quanto às comunidades que estão longe (muito longe) de virem a ter um serviço de internet?? E o que dizer dos valores cobrados no Brasil para os celulares e as tarifas de telefonia móvel?! O que mais me impressiona é que eu contatando aqui diversas emissoras, aqueles com quem me comunico não sabem nem o que é DRM e quando falo do “AM com som de FM e mantendo o mesmo alcance do AM analógico” soa com uma notável piada da minha parte afirmar “um negócio desses”. Enfim, são muitos meus posicionamentos e acho que não convém escrever ainda mais. Então, tudo de bom e que venha o DRM (coisa que tenho profunda tristeza de pensar que teremos o Rádio Digital sim, MAAAAAS, NÃO SERÁ O DRM). Aguardemos…

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