Impressões iniciais sobre o receptor ADS-B FlightAware Stick

Olá seguidores, em breve construirei uma estação para recepção de sinais ADS-B (do inglês Automatic Dependent Surveillance-Broadcast),  esse sistema consiste em receber sinais emitidos pelos transponders das aeronaves quando equipadas com a tecnologia.

O sistema tornou-se popular, estando presente em grande parte das aeronaves que sobrevoam diariamente nossas cabeças.

Como funciona o ADS-B?

As aeronaves equipadas, transmitem constantemente na frequência de 1090 MHz pacotes que contém informações como: Posição (Através de coordenadas do sistema de GPS), Velocidade, Altitude, Direção e Categoria do Equipamento.

O ADS-B, acaba sendo mais vantajoso se comparado ao modo tradicional composto pelo radar primário, pois permite trocar dados precisos com o solo ou até mesmo outra aeronave que esteja em sobrevoo.

ADS-B

Com a popularidade do ADS-B tornou-se comum usuários domésticos, adquirir receptores e instalá-los em suas casas. Inicialmente foram construídos pela AirNav Systems e pela Kinetic Avionics, porém os mesmos mantinham custos elevados, o que os tornava um artigo de luxo.

“Me recordo quanto qsj economizei para comprar um SBS-1 da Kinect, que hoje já passei nos cobres.”

Porém com o advento da tecnologia SDR (Rádio Definido por Software), ocorreu uma revolução astronômica pois quem dita as regras é software, e não demorou muito para um software ser desenvolvido, combinado ao hardware RTL de USD 9,00 (nove doletas) tornou-se possível receber e decodificar as mensagens disparada pelas aeronaves, esse progresso só evolui com a chegada da RaspBerry PI, um computador de baixíssimo custo e consumo, que tem as dimensões de um cartão de crédito. Ao se unir o RTL SDR ao RPI, forma-se o casal perfeito, para estações ADS-B de pequeno custo.

RaspBerry PI + RTL-SDR

Computador RaspBerry PI + RTL-SDR + Antena

Por que não montei uma estação antes ?

Diversos fatores me influenciaram a postegar tanto assim, pois fui um dos pioneiros no Brasil a efetuar recepção ADS-B com RTL-SDR, conforme vídeo abaixo, postado por mim a 4 anos atrás, quando iniciei a experimentação com o sistema, não existiam softwares para a plataforma Windows.

O que me fez desistir no passado foi a seguinte questão. Qual é a utilidade disso ? Não seria mais uma coisa consumindo tempo e infraestrutura, confesso que o PY2PE como sempre me ajudou muito disponibilizando os servidores, mais eu ainda sentia um deficit tremendo na ferramenta de análise dos dados, falta de cobertura por não conseguir unir mais de 1 receptor no software, dentre outros empecilhos.

Foi quando surgiu os serviços FR24 (Flight Radar 24)  e FlightAware, ferramentas que unificam dados de receptores colaborativos, dando em troca acesso a contas Premium dos serviços: (“braZileiro” você não achou que iria ganhar dinheiro com isso né…rsrs).

Hoje essas ferramentas citadas acima, tem dados de qualidade, suficientes para confrontar sistemas complexos e caríssimos utilizados na vigilância radar. Isso me fez decidir que agora é o momento correto para montar essa estação, pois dispomos de ferramentas sólidas com interfaces amigáveis, facilitando muito a análise e playback dos dados.

Sobre o receptor FlightAware USB Stick

Bom acho que já falei demais para o meu tamanho, então assistam o vídeo abaixo, em outro post citarei detalhes técnicos do receptor e quem sabe até um combate entre R820T2 e FlightAware USB.


Por enquanto é isso, em breve mais novidades, e peço desculpas pelo áudio do vídeo, pois ventava muito no QTH e pelos longos posts.

73 de PU2VLW

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Instalando o software SDRUno (Studio 1), utilizando RTL-SDR

Olá seguidores, tudo bem com vocês ?
Após muito tempo sem escrever, decidi atender o pedido de amigos, que entraram em contato através de e-mail e redes sociais, me questionando, sobre qual seria o procedimento correto para se efetuar a instalação e configuração deste novo software denominado “SDRUno”, derivado do famoso “Woodbox Studio1 – Pago,  e classificado como um dos melhores softwares de SDR para Windows”,  com o surgimento de uma versão gratuita destinada ao hardware SDRPlay, a compatibilidade de integração via ExtIO foi mantida, permitindo integração de diversos hardwares como o RTL-SDR, Elad, Soft66 entre outros.

SDRPlay
Hardware SDRPlay

 

Requisitos necessários

→ Pacote de instalação SDRUno

No link abaixo, está disponível o pacote de instalação do software SDRUno.

Instalação SDRUno Free

→ Interface de áudio com suporte ASIO

O principal requisito ao se instalar o SDRUno, é que a interface de áudio, seja compatível com protocolo ASIO, o software não aceita em seu fluxo de áudio OUT,  padrões como MME ou DirectSound.

Quando se fala em ASIO, muitos estão pensando… “ASIO, que raios é isso¿?” ?
Explanando brevemente ASIO (Audio Stream Input / Output), é um protocolo combinado a um conjunto de drivers que provê baixa latência na entrada e saída de áudio.

Os primeiros que efetuei, utilizei uma interface ESI Juli@, que possui suporte nativo a ASIO.

Caso seu hardware não seja compatível, ainda há uma possibilidade utilizando o software ASIO4ALL, que pode ser obtido no link abaixo.
Este software provê uma ponte emulada, fazendo com que o SDRUno,  reconheça sua interface de áudio, como sendo compatível com ASIO.

ASIO4ALL – Universal ASIO Driver For WDM Audio – Download

Sua instalação é rápida e simples, sugiro que as configurações, respeitem os parâmetros apresentados na imagem abaixo.

Configurações ASIO4ALL
Configurações ASIO4ALL

*É recomendável manter o Buffer Size em 512 samples (amostras), para não gerar consumo excessivo de CPU, consequentemente gerando dropped frames.

→ ExtIO RTL-SDR (Biblioteca de comunicação entre o RTL-SDR e o SDRUno)

Para que haja comunicação do software SDRUno e o hardware RTL-SDR, se faz necessário utilizar uma biblioteca externa denominada ExtIO (External Input/Output),  é um modo de prover funcionalidade universal no software, mesmo com hardwares distintos, ou seja, se hardware SDR possuir uma biblioteca ExtIO, ela vai comunicar com o software de forma genérica. Clique no link abaixo para efetuar o download da biblioteca.

RTL-SDR ExtIO – Download

Depois de efetuado o download dos itens acima, siga os passos do vídeo tutorial, para prosseguir com a instalação e configuração do software.

“Caso o software não encontre o ExtIO do RTL-SDR, é necessário copiar a dll para a pasta “Meus Documentos” em Windows XP ou “Documentos” em Windows 7 ou superior”, informado por PY2UEP – Demilson Quintão

Forte 73 de PU2VLW
Em breve novidades….

KG-STV Digital no satélite FltSatCom 8 (Bolinha)

Olá seguidores, conforme mencionei em posts anteriores, constantemente tenho monitorado os transponders lineares do satélite militar FltSatCom 8 (conhecido popularmente como Bolinha).

Na data de 21/06/2015, ao cair da tarde, estava a monitorar a frequência de 252.150 MHz, popularmente conhecida pelo misterioso sinal de SSTV analógico modo BW36, sinal este presente quase todos os dias.

Por volta das 18:00 hs (Horário Local), a portadora analógica contendo o SSTV cessou, e após alguns minutos, pude constatar a presença de um sinal digital.

Brevemente identifiquei se tratar do software KG-STV, do qual utiliza modulação no padrão MSK (Minimum Shift Keying), baseado na variação de frequência para geração dos bits.

MSK - WaterfallIdentificação do sinal digital no waterfall do SDR#

O software KG-STV, no modo MSK, transmite em velocidade de 1200 bauds, utilizando a base do “bit 0” a frequência de 1200 Hz, e base do “bit 1” a frequência de 1800 Hz.

Como sabemos, essas transmissões, são classificadas como misteriosas, ninguém sabe ao certo, de qual país elas são originárias e nem suas finalidades. Se cogita que o autor efetua essas transmissões para seus familiares, que provavelmente residam em outro país.

Durante a recepção ocorreu um fato que me chamou atenção, o software KG-STV, possuí em suas configurações um campo destinado a informação de CALLSIGN (Indicativo de chamada), conforme podemos ver na imagem abaixo.

kg_stv_settings
Ao início da transmissão no modo digital, pode ser ver claramente o indicativo de chamada EA7PP, provindo da Espanha (lembrando a Espanha está sobre o footprint de cobertura do satélite), confira no vídeo abaixo:

ATENÇÃO
O intuito deste post, não direciona acusação ou tem qualquer intenção de prejudicar terceiros e colegas dedicados ao nosso hobby, como o software não solicita nenhuma documentação para efetivar comprovação do callsign, qualquer indicativo de chamada pode ser utilizado, por qualquer pessoa, portanto pode estar sendo usado sem o consentimento de seu detentor.

A transmissão digital, teve duração média de 30 minutos, do qual resultou as imagens exibidas abaixo, logo após cessou, e novamente ocorreu o retorno do formato analógico SSTV modo BW 36.

Imagens capturadas com KG-STV –  21/06/15  | 21:00 UTC

Após essas transmissões, resolvi desenvolver um novo link neste blog, somente para postar as imagens recebidas em SSTV, o mesmo pode ser acessado Galeria SSTV – PU2VLW.

Confiram também nosso post – “Recepção SSTV no satélite FltSatCom 8 (Bolinha)”

73 de PU2VLW.

Recepção da última radiossondagem de 2013 – (Campo de Marte / SP)

Olá pessoal, com grande alegria venho relatar neste post minhas experiências com recepções de radiossondagem, em especial a última recepção de radiossondagem do Campo de Marte/SP em 2013.

Como tudo começou

Motivado por conhecer novas tecnologias e modos digitais, navegando na internet me deparei com o Projeto Ícaro V1, faltando exatamente 1 dia para o lançamento. Rapidamente iniciei minhas pesquisas para obter o máximo de detalhes do experimento. Me recordo que consegui rastrear o mesmo utilizando uma antena GP-9 e um scanner Icom IC-R10 sintonizado na banda de UHF, mais devido a falta de experiência não consegui decodificar os dados do GPS, decodifiquei somente dados telemétricos (Temperatura / Pressão / Umidade / Direção / Velocidade), dentre outros parâmetros.

Porém tive o cuidado de gravar toda telemetria oriunda do receptor em formato wav. Este áudio contribuiu ativamente para aumentar as possibilidades de resgate, pois minha estação conseguiu decodificar os dados por um maior período que as estações oficiais, envolvidas ativamente no projeto.

Neste meio tempo conheci uma pessoa que hoje considero como um dos meus melhores amigos.

Demilson Quintão PY2UEP, idealizador do projeto, desde então aprimorei minhas técnicas e equipamentos para efetuar a escutas.

O que é, e para que são utilizadas as radiossondagens ?

A radiossondagem consiste em um balão meteorológico, inflado com gás hélio ou hidrogênio, acompanhado de uma radiossonda (equipamento que coleta parâmetros climáticos e os transmite em tempo real em forma de ondas de rádio), este balão viaja a condições extremas atingindo a estratosfera, e em algumas situações podendo atingir a mesosfera.

Vaisala RS92

*Imagem ilustrativa de um balão meteorológico equipado com radiossonda Vaisala RS92-SGP

Atualmente a principal função das radiossondagens são coletar parâmetros meteorológicos para alimentar modelos de previsões do tempo, utilizados na aviação comercial.

Em todos os estados brasileiros, são realizadas duas radiossondagens diárias, que são controladas pelo EMA (Estação Meteorológica Automática e Radiossondagem), que geralmente ocorrem nos seguintes horários 11:30 UTC e 23:30 UTC (Tempo Universal). Conforme tabela abaixo:

UTC (Tempo Universal) Horário Brasileiro Horário Brasileiro de Verão
11:30 08:30 09:30
23:30 20:30 21:30

Como receber os sinais das radiossonda e decodificá-los.

Receber e decodificar os sinais, é um processo extremamente simples, desde que disponha dos equipamentos necessários para tal feito, são eles:

1º Antena

Inicialmente, como experimentação poderá ser utilizada qualquer antena que tenha recepção na faixa de UHF amador, no inicio de meus experimentos, utilizava a vertical Comet GP9, porém se desejar obter melhores resultados, o ideal é utilizar uma antena OWA ou a LFA, projetada por nosso amigo Roland PY4ZBZ. Nesta recepção foram utilizadas 2 OWA de 6 elementos cofadas uma fabricada por PU2ROG (Rogério) e outra de minha fabricação.

lfaAntena LFA de 3 elementos, projeto e foto de PY4ZBZ

owaAntena OWA de 6 elementos, projeto e foto de PY4ZBZ

2º Receptor

Poderá ser utilizado qualquer equipamento que tenha recepção favorável entre 400 ~ 406 MHz, em meus testes iniciais utilizei um scanner ICOM IC-R10 e obtive bons resultados. A sensibilidade do receptor é importante pois o TX da radiossonda trabalha com potência de 60 mW. Nesta recepção utilizei o SDR (Fun Cube Dongle Pro) e um filtro de toco, pois próximo ao meu QTH está localizado o TX da Iguatemi FM com 3.5 kW, causando muita interferência no Fun Cube Dongle Pro.

Icom IC-R10

ICOM IC-R10, simples receptor com boa sensibilidade que pode ser utilizado para captar os sinais.

Fun Cube Dongle

Fun Cube Dongle – Receptor com tecnologia SDR (Rádio Definido por Software), utilizado neste experimento.

3º Hardwares e Softwares

Para decodificar os sinais emitidos pela radiossonda e necessário dispor de um computador com Windows 95/98/ME/XP/7/8 e uma placa de som para injetar o áudio de saída do receptor, através da entrada de Line IN ou Mic IN, logo após é necessário instalar e configurar o software SondeMonitor. Feito isso você poderá a iniciar suas decodificações.

Configurando o software SondeMonitor

Segue abaixo um vídeo tutorial de minha autoria, explicando de forma resumida como configurar o software SondeMonitor com receptor convencional e também com receptor SDR.


Disponibilizo no botão abaixo para download, o arquivo com os principais pontos de lançamentos das radiossondagens do Brasil, para ser integrado ao SondeMonitor, este arquivo deve ser copiado ao diretório de instalação do SondeMonitor para que os locais apareçam no menu Tools > GPS Arm.

donwload-iconDados da última radiossondagem de 2013

Nesta recepção foram utilizados os seguintes equipamentos: SDR Fun Cube Dongle Pro, (integrado ao SDR#), notebook com Windows 8 Core I5, array com 2 antenas OWA de 6 elementos cofasadas para 403 MHz, proporcionando um ganho de 13,2 dBd e filtro de toco para anular o sinal da Iguatemi FM 96.5 MHz, sem o filtro a recepção pelo FCD fica inviabilizada em meu QTH devido a FM comercial citada acima.

Vejam nas imagens abaixo o teste das antenas OWA de 6 elementos para 403 MHz:

OWA Cofasada

Comparação entre 1 antena OWA de 6 elementos recebendo o sinal e logo após a segunda antena ligada em sistema cofasado, a melhora é nítida visualizada na cachoeira, porém o nível de ruído também aumenta, o Fun Cube Dongle Pro, em toda recepção esteve com o LNA Gain em 15.0 dB.

Segue abaixo um compacto em vídeo do rastreamento da última radiossonda de 2013, os dados foram postados no http://aprs.fi, através do aplicativo SM2APRS, desenvolvido pelo Demilson Quintão PY2UEP, para utilizar o software é necessário fazer parte da rede de APRS (Amateur Position Reporting System) e ser um radioamador licenciado.

 

Segue abaixo um link para download dos dados capturados desta radiossonda, esses dados podem ser reprocessados utilizando o software SondeMonitor, como material de estudo.

donwload-icon

No pacote de arquivos está incluso o arquivo de ALMANAC, descriminado como current311213z.txt, referente ao dia 31/12/2013.

Clique aqui para visualizar na rede de APRS, o rastreamento da radiossonda em questão, a recepção iniciou-se quando o balão ingressou a 2.642 metros de altura e encerrou-se  aos 2.723 metros quando em queda, devido aos obstáculos encontrados entre Santo Antonio de Posse e a Reserva Florestal da Cantareira, como pode ser visto no perfil de elevação abaixo, existe um obstáculo de 1103 m no campo de visada para o local de queda.

Perfil de elevação da última radiossonda de 2013Clique na imagem acima para ampliar o perfil de elevação, exibindo o obstáculo de 1103 m entre o local de recepção e local de queda.

Bom pessoal, termino por aqui o relato de mais essa experiência.
Forte 73 a todos e um feliz ano novo a todos.

Gostaria de agradecer minha esposa pela compreensão deste experimento que durou até poucos minutos antes da virada para 2014.

Recebendo sinais (AIS) de embarcações marítimas com RTL-SDR

Olá pessoal neste post iremos abordar um pouco sobre AIS (Automatic Identification System), um sistema de monitoramento marítimo de curto alcance, geralmente utilizado em navios ou embarcações marítimas de qualquer espécie.

Recentemente estive em Ilhabela-SP, e como todo bom experimentador, levei algumas tralhas e equipamentos para aproveitar as horas vagas e explorar as ondas do rádio.

Quem visitou Ilhabela, já notou que ao cruzar a balsa no porto de São Sebastião -> Ilhabela, há alguns navios e diversas embarcações atracadas nas docas ou se movimentando, vendo todo aquele tráfego, me surgiu a ideia de realizar este experimento.

O que é o AIS (Automatic Identification System)

O principal objetivo do sistema AIS em uma embarcação é trocar informações (curso / direção / velocidade / estado), com outras embarcações ao seu redor. Também é utilizado por autoridades navais para rastrearem o deslocamento da embarcação.

O sistema de AIS é composto por um transceptor de VHF, que está interligado aos principais sistemas de navegação da embarcação: (GPS / Indicador de velocidade, direção, velocidade e rotação), todo esse conjunto forma o “Transponder AIS”, que transmite periodicamente uma gama de informações da embarcação, encapsulados em um sinal digital pulsante em VHF.

Com AIS é possível obter informações específicas e detalhadas de embarcações próximas a célula receptora, possibilitando maior precisão, tornando-se mais vantajoso e confiável, comparado ao sistema tradicional de radar que emite sinais de rádio, e analisa o eco retornado, gerando dados relativos das embarcações ao seu redor, não aferindo tamanha precisão como no AIS.

Características técnicas do sistema AIS

Dentre tantas as questões técnicas que englobam o AIS, a primeira dúvida que me surgiu foi a seguinte.

“Sabendo que o transponder AIS, trabalha de forma individual em cada embarcação, como são controladas suas transmissões para que haja um sincronismo e uma embarcação não cause interferência no sinal da outra ?”

Abaixo resumi algumas explicações que encontrei no wikipédia.

Para utilizar-se de um meio compartilhado por várias embarcações emitindo sinais, o AIS adota um protocolo chamado de STDMA (Self Organizing Time Division Multiple Access), acesso múltiplo auto-organizado com divisão do tempo. A sigla “auto-organizado”, já informa que não há necessidade de intervenção do operador para que ocorra o disparo do sinal AIS, sendo assim minimiza os riscos de interferência.

Com o protocolo STDMA, cada transponder utiliza um ou mais slots de tempo dinamicamente reservados para suas próprias transmissões, dentro de um quadro compartilhado de 1 minuto são compostos em 2.250 slots, resumindo cada slot tem 26,67 ms. Com uma velocidade de transmissão de 9600 bps, resultando em slots de 256 bits. Um transponder pode utilizar até duas frequências de VHF, normalmente de 25 e 12,5 kHz de largura de banda. O uso destas frequências são derivadas das ações de congestionamento dos canais e alocações vigentes em cada país. Utilizando 2 frequências o sistema pode dobrar sua capacidade de 2.250 slots para 4.500 slots.

A alocação de slots é feita baseando-se nas transmissões de outros transponders, de forma a reduzir o risco de interferência. Para que isso realmente funcione, é necessário sincronia entre os transponders, ou seja, quando um slot de tempo é alocado com sucesso, apenas 1 estação vai transmitir naquele intervalo bem demarcado no tempo.

A sincronia é concedida se uma medida de tempo compartilhada estar disponível. Essa medida global é obtida através do GPS da embarcação, ligado ao transponder AIS, mesmo na ausência desses parâmetros de medida, é possível obter sincronismo, o protocolo irá atuar obtendo dados de outras embarcações já sincronizadas.

Por outro lado, se os slots ficarem congestionados, devido ao alto trafego de embarcações, o sistema poderá ignorar as estações mais distantes, deixando em prioridade somente as mais próximas da célula de recepção.

Até o momento embarcações de pequeno porte não são obrigadas a portar um transponder AIS.

Existem 2 tipos de classes, classificados com A e B, os equipamentos de classe A em sua maioria são mais robustos e devem respeitar as regras da IMO, deverá ser utilizado por navios. Os equipamentos de classe B, não precisam respeitar todas as regras da IMO, por isso seu custo é mais acessível.

Geralmente o AIS é composto por 2 canais do VHF marítimo são eles:

Frequência Canal AIS Canal VHF
161.975 MHz – NFM Canal A Canal 87 VHF
162.025 MHz – NFM Canal B Canal 88 VHF

Softwares / Hardwares utilizados neste experimento

Para realizar este experimento utilizei um dongle RTL-SDR E4000, também poderia ser utilizado o novíssimo R828D ou R820T, próximo passo é uma boa antena de VHF ligada ao dongle. Para maior alcance, indico que ajuste da antena para a faixa de VHF marítimo. No meu caso utilizei uma M240A da Aquario ajustada para faixa de 144 MHz ~ 148 MHz, mesmo assim obtive em torno de 4.500 mensagens em aproximadamente 13 horas de recepção no canal A, detalhe antena estava montada interiormente na janela do QTH, a 60 metros de altitude com boa visibilidade para o oceano.

Os softwares utilizados foram o SDR# e o ShipPlotter, como dispunha somente da interface de áudio onboard do notebook, utilizei a mixagem estéreo da própria interface para repassar o áudio do SDR# para o ShipPlotter, conforme esquema abaixo.

SDR# + AIS - Mixagem estéreo

A seta vermelha indica o áudio saindo do SDR#, a configuração de gravação da interface foi setada para Stereo Mix (Mixagem estéreo faz um loop com a reprodução e tudo que está sendo reproduzido é repetido neste canal).

A seta azul indica que o ShipPlotter deve ser apontado para a opção Stereo Mix, para receber o áudio do SDR#. Para realizar este procedimento abra o ShipPlotter e selecione a opção conforme imagem abaixo:

AIS Stereo Mix

“Obs.: aprimoramentos, efeitos e softwares que emitam alguma espécie de som em sua interface, deverão ser desabilitados durante o processo de recepção das mensagens AIS.”

Processo de recepção dos sinais AIS 

Segue um vídeo abaixo, demonstrando o processo da recepção e a visualização das embarcações via Google Earth.

Log’s e detalhes das recepções AIS

Segue abaixo a lista no total de 26 embarcações recebidas, clique no código MMSI para obter maiores informações sobre a embarcação.

MMSI Nome Callsign IMO Dimensão Tipo
710000391 REBOCADOR WEZEN PQ2251 9573191 24 metros Rebocador
311000097 BOSSA NOVA SPIRIT C6AN6 9637703 282 metros Petroleiro
240472000 ALASKA SYDS 9302607 274 metros Petroleiro
710013230 PILOT BOAT I 13 metros Lancha
710000237 ATREVIDA PPUF 30 metros Navio de Vela
710112233 DELPHINUS PPPPP 9573141 32 metros Rebocador
636011397 ELKA HERCULES ELYX4 9234472 183 metros Petroleiro
710004480 AURIGA PP8394 9541904 24 metros Rebocador
710000002 REBELO XV PR2564 7029524 51 metros Navio de suporte
239592000 ALTHEA SVPP 9173733 240 metros Petroleiro
249644000 NAVIG8 MALOU 9HWS9 9396763 183 metros Petroleiro
311067800 ATAULFO ALVES C6ZV9 9183271 272 metros Petroleiro
229208000 HELLAS ENTERPRISE 9HA3151 9397468 183 metros Petroleiro
533130039 EAGLE PARANA 9MPT9 9598268 248 metros Petroleiro
710013260 PILOT BOAT VII Lancha
477817800 HAI JING VRKA3 9233595 225 metros Navio Graneleiro
710001640 MARACANGALHA PR7391 14 metros Lancha
636090499 MARIELLE BOLTEN ELZH9 9149653 181 metros Navio cargueiro
636015522 SESTREA D5BH9 9406659 274 metros Navio Tanque
311044500 QUETZAL ARROW C6YT4 9007544 200 metros Navio cargueiro
710000110 PARATII 2 PY2KAK 20 metros Veleiro
308203000 CONTIGA ARROW C6QO9 8512982 199 metros Navio Cargueiro
257464000 SKS DELTA LAIU7 9426312 250 metros Petroleiro
311065600 SAO LUIZ C6ZT4 9492139 245 metros Petroleiro
240278000 STRYMON SVNT 9290919 182 metros Navio Tanque
241235000 RIO 2016 SVBR2 9623867 264 metros Petroleiro

Confira abaixo a movimentação das embarcações, conforme datas e intervalos citados abaixo:

Tráfego AIS correspondente à 22/11/2013 – 01:00:00 até 17:45:00

Tráfego AIS correspondente à 22/11/2013 – 19:30:00 até 22:30:00

Tráfego AIS correspondente à 24/11/2013 – 03:25:00 até 15:45:00

Espero que tenham gostado do post, clique no botão download para baixar os arquivos de log gerado pelo software ShipPlotter.

donwload-icon

Bom pessoal é isso, espero que tenham gostado de mais essa experiência com o RTL-SDR.

Forte 73 de PU2VLW – Vinicius Lenci, em especial ao meu amigo PU2ROG – Rogério, que fabricou uma excelente antena para faixa dos 10 metros, proporcionado vários contatos em Ilhabela-SP.